29/06/2011

POESIA VISUAL: De Simmias a Joan Brossa, Uma Conexão com o Cotidiano


POESIA VISUAL: Uma Conexão Com o Cotidiano
O olhar e o falar nas diversas formas de Arte
    Quando a transmissão de conhecimento era basicamente oral, a realidade era uma só para todos. Se todos diziam as mesmas palavras, não havia diferença. As palavras tinham o status de realidade, desbancando a visão particular. Logo, a verdade era algo sobre o quê a maioria dizia as mesmas frases.
 
    A palavra é a ferramenta básica da poesia, mas isto não impede que no feitio do poema - transcrição de um indivíduo de como ele enxerga a realidade aparentemente única – os poetas agreguem materiais e/ou maneiras de se exprimir diversas, que conferem peculiaridades à poesia, sem perder a essência.
 
    Isso também acontece nas demais espécies de Arte, este amplo território do sensível, materializado em pintura, música, filme, teatro, literatura, escultura e as múltiplas formas de espetáculo. Há sempre um novo fazer artístico sendo agregado.
    Na Arte contemporânea o artista usufrui como nunca do direito de pensar, interrogar e atribuir novos significados às imagens, tanto as tradicionais da história da arte quanto daquelas do cotidiano. Ele não cria novidades. Reprocessa linguagens, aprofunda a sua pesquisa e poética, tendo como instrumental um conjunto de imagens.
    Na Arte em forma de Poesia, deparamo-nos com a substância da linguagem. Poema é esmero e sentimento, aquilo que toca em cada um de nós. Para Júlio Braga, a poesia é arte gráfica, assentada num suporte neutro. "Uma vez descoberta, a essência da linguagem gráfica, ela reencontra seu instrumento autêntico, a palavra, com toda a sua extensão para o logos: verbal, escrita, visual, mímica, prática, filosófica, épica, dramática, coreográfica, mitogênica, cosmogônica, etc", conclui Braga.
De Simmias a Joan Brossa
    O homem ao longo do tempo acrescentou novos significados à escrita. Um exemplo é o poema Ovo, de Simmias de Rhodes, do século IV a.C, que conta o nascimento de Eros a partir do ovo primitivo. É tido como o primeiro modelo de Poesia Visual. A forma (ovo) traduz o sentido e a palavra se torna um atributo da imagem. (Figura 1)
Figura 1

Ovo - Reproduzido em versão tipográfica
    O poeta catalão Joan Brossa é um dos ícones da inquietude criativa, daqueles artistas que não se conformam com uma única vertente. Seja buscando a ordenação visual dos textos, sua conexão com o cotidiano, inserindo-a nos espaços públicos, seja fazendo uso dos objetos em si, rompendo com o padrão estabelecido, mas ainda assim, mantendo algo da estética tradicional. Ele sacudiu a poeira da Poesia Visual e a trouxe para a contemporaneidade. Antes dele, trilharam este caminho os autointitulados vanguardistas europeus do fim do século XIX e início do século XX, que traziam para si o papel de guias da cultura do seu tempo. Embora tenha bebido nesta fonte, Brossa trilhou o seu próprio caminho, tornando-se um artista multimídia.
Movimentos artísticos, políticos e literários dos séculos XIX e XX
    O Dadaísmo(1916-1922), movimento literário criado em 1916, por escritores e artistas plásticos exilados em Zurique, surgiu para demonstrar como, às vezes, nem a própria arte faz sentido no mundo. A arte perdera todo o seu norte, ante a irracionalidade da guerra. O Dadaísmo manifestava esta decepção Palavras desordenadas, sem sentido eram a tônica do movimento, revoltado com o capitalismo burguês e à literatura tradicional, com a pretensão de ir além do expressionismo, futurismo e cubismo. Ante uma Europa em frangalhos por uma guerra gratuita, desconstruir a arte foi maneira encontrada pelos dadaístas para demonstrar a insatisfação com a realidade incômoda.
    Movimentos posteriores inspiraram-se no Dadaísmo, como o Modernismo e o Concretismo. Este último, na década de 50, quis terminar com a diferenciação entre forma e conteúdo vigentes. No Concretismo, o pensamento é calcado na realidade. Influenciou a música, a poesia e as artes plásticas e seu expoente foi o poeta russo Vladimir Mayakovsky, que incorporou a temática social, inovando a linguagem nos anos 60, numa poesia planificada e racional. No Brasil, Augusto de Campos, Décio Pignatari e Haroldo de Campos foram os pilares do movimento. Aboliu-se o verso tradicional e a poesia composta basicamente de verbos e substantivos. A linguagem era concisa, espelhando a sociedade industrial, sem começo meio e fim. Na folha em branco, a palavra se transforma em objeto visual
e admite múltiplas leituras. Os aspectos geométricos passaram a ser incorporados na poesia, na música e nas artes plásticas. Surge a comunicação visual como carro chefe da poesia Concreta. No poema "beba coca cola", abaixo,
Décio Pignatari dá mostras do vigor de sua obra.
beba coca cola 
babe         cola 
beba coca 
babe cola caco 
caco 
cola 
         c l o a c a 

"beba coca cola" (1957), Décio Pignatari

Joan Brossa e João Cabral de Melo Neto – Um vínculo literário fecundo
    A figura de Brossa(1919-1998) sintetiza, a nosso ver, o perfil da revolução estética do século XX. Seus textos literários e trabalhos verbo-visuais – Poesia Experimental – da década 40, consolidaram a transformação da palavra como objeto visual, ocorrida com o Concretismo, na década de 50. O termo Poesia Visual sequer existia. Sua extensa produção se constituía de livros, poemas visuais, poemas objeto, instalações, dentre outras. Era amigo do poeta brasileiro João Cabral de Melo Neto, na época Vice-Cônsul do Brasil em Barcelona, que lhe propiciou o contato com o marxismo e a realidade latinoamericana. Seus dois primeiros livros - o Sonets de caruixa (1949) e En va fer Joan Brossa (1951) - foram feitos numa tipografia artesanal que João Cabral mantinha em casa. Brossa lutou na Guerra Civil Espanhola e sobrevivia vendendo livros proibidos pelo franquismo. Na década de 20 seus poemas já reivindicavam a liberdade da Catalunha. Na condição de diplomata, Cabral oferecia segurança às reuniões dos intelectuais da época perseguidos pelo regime do Generalíssimo Francisco Franco, bem como participava efetivamente da efervescência cultural espanhola.
    Merece aqui, um capítulo à parte, a consistente obra literária de João Cabral de Melo Neto(1920-1999), pernambucano do Recife. No fim da década de 50, já produzira, dentre outros, Pedra do Sono(1942), Os Três Mal-Amados (1943),O Engenheiro (1945), O Cão sem Plumas (1950) Sua obra magna de Cabral é "Morte e Vida Severina" encenada em 1969 pela Companhia Teatral de Paulo Autran:


"...E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida;
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida;
mesmo quando é uma explosão
como a de há pouco, franzina;
mesmo quando é a explosão
de uma vida severina."
(Morte e Vida Severina)





    Um dos expoentes brasileiros da terceira fase do Modernismo(1945-1960), Cabral possuía um rigor estético obsessivo, uma antipoesia. Valia-se de antíteses como "dentro e fora", "fértil e desértico" e do uso sistemático de palavras como faca, esqueleto, vazio, fome, pedra, dentre outras. O resultado era uma poesia crua que paradoxalmente, estranha e atrai. Não há paixão, basta-lhe a construção pensada e elaborada da linguagem, para se extrair poemas concretos, poemas-objetos, fazer poesia com coisas, com o cotidiano, alimentando o mito de autor cerebral.
    O vínculo literário entre os poetas Joões - brasileiro e espanhol – foi profícuo. Com o pé na materialidade, ambos ligaram sua arte ao dia-a-dia, sedimentando a experimentação poética do Concretismo. De um lado, Brossa, artista precursor da multimídia, que batia pernas por Barcelona sem dinheiro e comendo pouco, dono de uma imaginação riquíssima e uma alegria incomum. Do outro, Cabral, diplomata, intelectual, para quem a vida era bela, porém sofrida, poeta que renegava a subjetividade. Em comum a inquietude artística, característica daqueles que não sossegam quando chegam os prêmios e o reconhecimento e mantém uma diversificada produção artística da juventude à velhice. Um enriqueceu o trabalho do outro.
Brossa e a Poesia Visual
    A poesia visual foi agregada à obra de Joan Brossa, na década de 60. Entre a concepção e a execução decorria longo tempo.(figuras 2a, 2b, 2c)
Figura 2a
Poema visual, concebido 1970 - realizado 1978 /serigrafía

Figura 2b
Solstici, 1989 / litografía.

Figura 2c 
Poema visual, concebido 1970 - realizado 1978 /serigrafía
Imagens: Fundació Joan Brossa – Barcelona-Espanha

    O próprio Brossa explicou como passou da poesia visual para o poema objeto: "Foi todo um processo. Eu comecei fazendo literatura com peruca, depois me concentrei na linguagem coloquial e depois passei ao objeto. Para mim a escrita e o trabalho com os objetos são ferramentas que me permitem colher a poesia, que como a eletricidade está em todas as partes, tem é que colhê-la. O poeta constrói pequenos veículos para transmitir a poesia. Eu gosto de alterar os objetos e fazer metáforas. Eu colho um fragmento da realidade mais comum, uma propaganda de um periódico, por exemplo, e gosto de tocá-lo um pouco, intervindo minimamente. Os objetos têm um sentido, eu o pego do cotidiano e lhe dou outro sentido, tratando de resgatá-lo dessa dependência funcional". (Figura 3a,b,c)
Figura 3a

Poema objeto-1969


Figura 3b








Paleta Poética-1989 


 Figura 3c

Senhor – 1975


Imagens: Fundació Joan Brossa – Barcelona – Espanha

    A partir do livro Poesia Rasa(1970), sua obra é publicada regularmente e consagra-se mundialmente em 1991, expondo no Centro de Arte Rainha Sofia, em Madri.
    No museu Nacional Pablo Picasso, em Paris, encontra-se a obra- "Tête de taureau" - (Paris, 1942), ilustrada abaixo, que traduz de forma ímpar a idéia de transformação da arte. Um selim e um guidão de bicicleta velha - símbolo da indústria – unidos se tornaram uma Cabeça de touro – Símbolo da Espanha. A mesma transformação que outros artistas também exercitaram, de Michel Duchamps a Andy Warol. Bastou pendurar na parede do tal museu e se tornou escultura. (figura 4)
Figura 4


"Tête de taureau"-Pablo Picasso – Paris-1942
Imagens: Museu Pablo Picasso – Paris-França


    Joan Brossa compôs um poema tipográfico com o mesmo tema de Picasso. Simplificou o desenho de uma cabeça de boi até que ele se tornasse a letra A. Pegou algo real – a letra A do alfabeto – e a transformou em um objeto – a cabeça de boi. O poema-objeto. (Figura 5)

Figura 5







Cap de Bou, concebido 1969 - editado 1982 / serigrafia



A obra de Joan Brossa visita o Brasil

    Visitamos no MARGS em 2006, a intrigante mostra de Joan Brossa, "De Barcelona ao Novo Mundo". Logo na entrada, correntes pendiam do teto e ocupavam uma sala inteira. Uma placa informava: Correntes de Dâmocles.(Figura 6)
Figura 6

subrossa3.files.wordpress.com2007/04/cadenes-damocles.jpg



     A instalação era parte da parte da retrospectiva de poemas visuais, poemas objeto, cartazes e livros produzidos pelo autor entre 1938 e 1998. Uma obra em particular surpreendeu-nos: Intermedi – cuja imagem está reproduzida abaixo e uma obra desta autora, um poema com o mesmo título em português. Não se trata releitura, pois não conhecíamos o autor ou sua obra. Apenas uma coincidência e um tema comum. Um - poesia visual. Outro - suporte tradicional.(Figura 7)

Figura 7
Intermedi – Joan Brossa – 1991


Fundació Joan Brossa – Barcelona - Espanha



INTERVALO

Eis que chega triunfal!

a cavalleria rusticana

intermezzo:

imobilizai-vos!

Dos rostos do povaréu

nenhum calor emana

faces gretadas

palidez mortal

puro pavor.

Mãos crispadas, calos atávicos

ancestral horror.

Sequer as pupilas movem

o inimigo imobiliza

allegro, ma non troppo

solta-se o primeiro músculo

o segundo...

o terceiro...

Todos!

a força injeta-se vital

entra de roldão

a dança flui, a dureza esvai

o populacho dança

o inimigo baila.

A música alcança

o cérebro, as veias,

o calor invade...

tece teias.

E a arena

vira uma festa

que a luz imensa clareia

amnésia para o sofrimento

refresco para o espírito

até que voltem as cadeias.


O fazer contemporâneo da poesia segue em construção.

    Na obra "Vaso Quebrado", da artista plástica Sandra Virginia Scheid. "Quando se fala que vaso quebrado não cola mais, não cola mais na forma que tinha, mas com os cacos quebrados você pode fazer um vaso mais bonito que antes" – diz Sandra.(figura 8).
Figura 8



Vaso quebrado – Sandra Virgínia Scheid – Porto Alegre – RS




Foto cedida pela autora


    Em outra obra - Coração em pedaços - "UM quadro é o recado do coração. Os cacos quebrados rearranjados e colados uns aos outros e na base, formam um coração mais forte, mais coeso, mais guerreiro, não sei se mais feliz, mais com
mais garra e vida, sim" – Reflete a artista. (figura 9)

Figura 9

Coração em Pedaços – Sandra Virgínia Scheid – Porto Alegre – RS



Foto cedida pela autora






    Em "Pulsar da Arte", da artista plástica Patrícia Lettiere,(figura 10) um coração estilizado, simboliza a união de Artes e Artistas.   O sangue que esse coração recebe e transporta é a Inspiração que corre nas veias dos artistas e que se transforma em Arte. Para contemplar a beleza da Arte não é preciso que os olhos procurem pelos detalhes, pois às vezes eles se escondem da visão. É precioso e gratificante sentir o Pulsar da Arte, sublime manifestação dos nobres e puros sentimentos, conclui Patrícia.



O pulsar da arte – Patrícia Lettiere – Petrópolis-RJ





Foto cedida pela autora



 A imagem toma conta do mundo outra vez

    A imagem tomou conta do mundo. Interagiu com a palavra, ganhou outras roupagens e suportes. Podemos dizer que uma arte é atual somente quando ela ganha as ruas, mesmo que o público olhe e diga – Mas afinal, o que é isto? Felizmente, as mostras de arte contemporânea ganham espaço em redutos ditos tradicionais, bienais, exposições, atualizando para as tecnologias do momento o modo de se fazer arte, disseminar literatura, transmitir sentimentos e conhecimento.

    Joan Brossa se dizia poeta, mas o seu conceito de poesia foi muito além do convencional. A arte é como a alta costura, que não é usável no protótipo da criação. Aquilo que é mostrado é o núcleo das idéias que serão discutidas, disseminadas em roupa/arte palpável e aceita/usada por crítica e público. Enquanto o novo paradigma não se impõe o artista sobrevive do suporte tradicional, até que um novo modelo assuma o papel de vanguarda.

Poesia Visual – Um conceito por criar – A Poesia Digital

    O termo poesia visual é controverso, conforme a professora Sheila Maués. Para ela, "uma vez que todas as mentes criativas tentaram atingir formas inventivas em função de poéticas diversas. Hoje se fala em poesia visual como resultante da interseção entre poesia e a experimentação visual pela utilização de signagens simultâneas. Essa dicção contemporânea atribui ao conceito de poesia visual falso ar atual. O conceito de poesia visual, ainda por criar, deve partir da revisão de apreciações históricas, para considerar o todo. Poesia visual é poesia livre, é dizer como nunca foi dito, sem pudores de invadir territórios artísticos vizinhos ou códigos impensados. Poesia visual é formar por formar; quer escreva, desenhe, cole, pinte, digite, publique ou emoldure; quer construa por cálculos, projetos ou acredite em inspiração, instinto, acaso. O essencial é que haja poesia".

Já se fala em nossos dias de Poesia Digital... E começa tudo de novo...

 

19/06/2011

Os Sapatos Sujos da Língua Portuguesa


O texto abaixo nos foi cedido pela advogada Silma Duarte, de Porto Alegre, que gentilmente nos permitiu a publicação neste espaço.

Conhece Mia Couto? Moçambicano, ele estudou medicina e biologia. Mas se dedica às letras. Tem leitores cativos em Europa, França e Bahia. Os brasileiros o prestigiam em lançamentos, palestras e tietagens. Os patriotas também. Outro dia, convidaram-no para abrir o ano letivo do Instituto Superior de Ciências de Moçambique.

O tema: os sapatos sujos da modernidade.
Ele justificou a escolha do assunto assim:

"Não podemos entrar na modernidade com o atual fardo de preconceitos. À porta da modernidade, precisamos nos descalçar”.

Contei sete sapatos sujos que necessitamos deixar na soleira da porta dos tempos modernos. Haverá muitos. Mas eu tinha de escolher. E sete é número mágico".

O 1º sapato sujo: a ideia de que os culpados são os outros e nós somos sempre vítimas.

O 2º: a ideia de que o sucesso não nasce do trabalho.
O 3º: o preconceito de que quem critica é inimigo.
O 4º: a ideia de que mudar as palavras muda a realidade.
O 5º: a vergonha de ser pobre e o culto das aparências.
O 6º: a passividade perante a injustiça.
O 7º: a ideia de que, para sermos modernos, temos de imitar os outros.

Xô, imundície!

A língua também tem sapatos sujos. São muitos.
Mas, como Mia Couto, escolhemos sete.
Respondem pela imundície  preconceitos, descuidos, escola ruim.
Que tal descalçá-los?
Primeiro passo: conhecê-los.
Segundo: deixá-los na soleira da porta.

Os sapatos sujos da língua

 O mito de que o  português é uma língua muito difícil. Talvez a mais difícil do mundo.
O português, como o inglês, o francês ou o chinês, é língua de cultura. Tem seu léxico, sua fonética, sua morfologia, sua sintaxe. Dominá-los exige estudo. É como se subíssemos uma escada com muitos degraus. Cada conquista representa um passo pro alto. Como lembra Mia Couto, o sucesso nasce do trabalho.

A ideia de que ler e escrever bem são dons divinos.
Ler e escrever são habilidades. Jogam no time de nadar, correr ou digitar. Todas exigem treino. Muito treino. Para ser campeão olímpico, Cesar Cielo pratica 15 horas por dia. Para ganhar a São Silvestre, Marilson dos Santos se exercita cinco horas de domingo a domingo. Para ler e entender, escrever e ser entendido, impõe-se ler e escrever muito e sempre.

A crença de que quem não aprendeu a norma culta nos primeiros anos de escola não mais aprenderá.
Desculpa de preguiçoso, não? Papagaio velho aprende a falar sim, senhor. Precisa estudar. O Lula serve de exemplo. No início da carreira, tropeçava em flexões, concordâncias, regências. Hoje domina o padrão culto da língua. Viu? O inimigo não é o outro. Somos nós.

A falácia de que não se devem apontar erros.

Apontar falhas ajuda a corrigir rumos. A correção tem hora e vez. Pais educam os filhos com palavras e exemplos. Avós, tios, primos, amigos os ajudam. A escola tem compromisso com a aquisição do conhecimento. Se se furtar a ensinar a norma culta, por exemplo, condenará muitos alunos a ficarem no andar de baixo. Quem critica, lembra o escritor moçambicano, não é inimigo.

5º A ilusão de que as palavras escondem o raquitismo de ideias.
A prosa informativa se inspira na internet. É ágil, curta e fácil de ler. Perder-se no emaranhado de palavras bonitas impressionavanos dias em que tínhamos de ser criativos para matar o tempo. Não é o caso de agora. Hoje, tempo é luxo. Menos é mais. Menor é melhor.

6º A crença de que eufemismo muda a realidade.

Adocicar o termo é como envolver o produto em celofane. A embalagem é bonita. Mas o interior não muda. Dizer "o caixa está indisponível" em vez de "o caixa quebrou" não muda a realidade: falta dinheiro para pagar as contas ou os credores.

7º A ideia de que errar pega mal.

O teatrólogo Samuel Beckett responde: "Erre mais. Erre melhor". 
 

14/06/2011

Shirin Ebadi: O Clamor por Mudanças no Irã. Uma Voz em Defesa dos Direitos Humanos.


            A advogada iraniana Shirin Ebadi foi responsável pela palestra da noite de 13 de junho, do ciclo de conferências “Fronteiras do Pensamento” realizado no salão de Atos da UFRGS em Porto Alegre.
            O evento, cujo objetivo é estimular o debate sobre a identidade da época em que vivemos, teve sua estréia em 23 de maio, passado, com a presença do crítico literário americano e teórico marxista Frederic Jameson, com o tema A Estética da Singularidade.
            Prêmio Nobel da Paz em 2003, por sua atuação na defesa dos direitos humanos no Irã, Shirin Ebadi, a segunda conferencista do ciclo Fronteiras do Pensamento, usou o idioma farsi para expressar-se durante a conferência, dividida em duas partes, a segunda dedicada a responder às perguntas da platéia.
            Durante a explanação inicial, Shirin, que quer dizer “doce” em persa, manteve a fala tranqüila, inclusive ao citar os exemplos concretos de discriminação, ou na descrição das penas capitais previstas na lei iraniana. Primeira mulher a ser nomeada juíza e a presidir um tribunal no Irã, Shirin foi transferida para trabalhos administrativos, com o advento da Revolução Islâmica de 1979, capitaneada pelo aiatolá Khomeini. A presença das mulheres na magistratura era considerada antiislâmica. Ante o seu protesto e o de outras juízas, passou à condição de especialista do Ministério da Justiça iraniano, obteve posteriormente, licença para advogar.
            Foi na condição de advogada dos opositores do regime, que Shirin granjeou a perseguição do regime islâmico dos aiatolás. O fato de ser mulher não foi o único motivo. A amplitude da sua luta está calcada em mudanças estruturais no Irã. Clama por mudança nas leis do divórcio e de herança, direitos das crianças, das mulheres, dos refugiados, dos presos políticos e de consciência. Mudança na severidade das penas. Mudança por uma interpretação mais livre do Islã.       Questões essas, todas defendidas e pautadas por calma e moderação, aparentemente incoerentes por assuntos tão contundentes.
Mudança. Esse é o maior “pecado” de Shirin, que o regime iraniano não suporta vê-la clamar.
            A seguir, o conteúdo da palestra e das respostas da conferencista às perguntas da platéia, limitando-se, na medida do possível ao relatado pela tradução simultânea.

Direitos Humanos no Oriente Médio
            Shirin iniciou a palestra dizendo-se sentir em casa na casa na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Foi professora na Universidade de Teerã. Ganhou do reitor da UFRGS um botton com o símbolo da Universidade e o usou para demonstrar a familiaridade que sente no local, uma universidade.
            Shirin contextualizou a situação dos direitos humanos no Irã, antes da revolução islâmica. O Xá, Reza Pahlevi era um ditador a serviço dos americanos, o povo não gostava e se revoltou. Com a sua queda em 1979, veio a república islâmica e a queda do Xá. Não bastou ao povo sair um déspota, precisava entrar a democracia. Tanto o ditador americano quanto o islâmico, são ruins. Cita exemplos de violação dos direitos humanos, perseguição das vozes moderadas que pleitearam mudança durante a revolução.

Leis do Irã

Discriminação baseada no gênero.
_ De 1979 em diante, a mulher vale a metade de um homem. Se uma mulher e o seu irmão forem feridos, assaltados, a indenização do irmão é duas vezes a dela;
_O testemunho de duas mulheres no tribunal equivale ao de um homem;
_Pela lei da família, um homem pode ter até quatro mulheres, sem nenhuma justificativa;
_O homem pode divorciar-se se quiser. Já para a mulher o processo de divórcio é bem mais complicado, quase inatingível;

Discriminação por religião
            A religião oficial do Irã é a muçulmana Xiita. Outras seitas islâmicas, judaísmo, zoroastrismo, cristianismo, judaísmo, também são reconhecidas formalmente. Fora desse grupo de religiões há outras que não são reconhecidas e não tem nenhum direito. Isso se estende aos ateus e aos socialistas.
            Um exemplo de grupo sem direitos é a fé Baha`i. Trata-se de uma religião persa, que existe há duzentos anos no Irã e está espalhada por todo o mundo. Seus membros, não podem ser contratados para emprego público, nem ingressar nas faculdades. Os baha`is do Irã criaram uma universidade clandestina, que o governo descobriu, fechou e prendeu os professores. Sequer em casa, os Baha`i podem estudar.
           A discriminação baseada na religião é ampla. Mesmo as religiões reconhecidas oficialmente são objeto de tratamento diferenciado.
            Pela lei iraniana, quem comete o mesmo crime, a condição de muçulmano ou não-muçulmano determina tipo diferente de punição.
            Se um casal solteiro mantém relações sexuais, o que é proibido pela lei islâmica, a pena é de cem chibatadas para ambos. Porém, se a mulher é muçulmana e o homem não-muçulmano, para este último, a pena é a execução. A mesma ação, para o homem muçulmano, cem chibatadas, para a mulher não-muçulmana, execução.
            A religião determina o procedimento a ser adotado nas heranças. Nas leis civis, se entre os herdeiros de um não-muçulmano houver um muçulmano, este ganha tudo e os demais ficam sem nada. Logo, os herdeiros de um iraniano cristão, se forem todos não-muçulmanos, dividem entre si a herança. Porém, se um dos parentes desse falecido se converteu ao Islã, todo o espólio é destinado ao indivíduo convertido ao Islã e os demais herdeiros, mesmo filhos ou parentes mais próximos, nada recebem.

Liberdade de Expressão

            Publicar um livro no Irã é muito difícil. Necessita de autorização prévia do governo, que a nega na maioria das vezes.
            Criticar a constituição na mídia é proibido. Se o fizer, a instituição é fechada;
            Há censura sistemática a jornais e sites da Internet. Conforme a organização Repórter sem Fronteiras, o Irã é hoje o país com o maior número de jornalistas presos.
            Shirin cita o exemplo de Reza Rhoda Saber, jornalista iraniano, preso há anos, que entrou em greve de fome e veio a falecer em 12/06/2011 sem que o governo se importasse ou sequer mencionasse. Somente por intermédio do relato de outros presos políticos é que se soube no Ocidente da perda de um dos melhores jornalistas do Irã, no seu entender.
           Artistas, cineastas também são censurados e presos. Um deles é Jafar Parnahi, cineasta, jurado de Cannes. Preso pelo regime pagou fiança e foi solto, graças a protestos internacionais. No tribunal, defendeu a liberdade de filmar. Foi condenado a cinco anos de prisão e proibido de filmar por vinte anos.

Tipos de penas aplicadas no Irã
            Apedrejamento, crucifixão, decepamento de mão, chibatadas.
            No caso de Sakineh Ashtiani, acusada de relação sexual indevida com homem, objeto de protestos internacionais, a República Islâmica não cumpriu a sentença. Há outras cinco mulheres anônimas na prisão aguardando a execução por apedrejamento.
            Depois da China, o Irã é o país que mais executa no mundo. Em 2010, 300 pessoas foram executadas.
            O Irã é o país com o maior número de execuções de menores de dezoito anos.     Quando um menor comete um crime, a lei pune e castiga com a mesma rigidez que se fosse cometido por alguém de quarenta anos. A execução, assim, no Irã, é freqüente. Há dois meses, três jovens criminosos de dezesseis anos de idade foram executados no Irã, acusados de assalto a mão armada.

Críticas à República Iraniana
            Sempre que a República Iraniana fica sujeita a críticas internacionais, por questões dos direitos humanos, o governo do Irã argumenta que se trata de assunto interno, só dizendo respeito ao Irã, sendo que nenhuma pessoa ou país tenha o direito de interferir.
            Shirin discorda ao afirmar que o assunto é internacional, sim. Qualquer violação dos direitos humanos em qualquer parte do mundo, diz respeito a todas as pessoas. É uma questão de humanidade. Se o Irã protesta por violação dos direitos humanos na Palestina ou no Iraque, outros países podem fazer o mesmo em relação ao Irã sem que se caracterize ingerência nos assuntos internos, entende Shirin.
            Quando o governo iraniano alega que Israel mata os palestinos; que os EUA violam os direitos humanos, a conferencista compartilha da opinião que a violação dos direitos humanos ocorre também nos EUA e na Europa. Guantánamo e a invasão do Iraque são motivo de vergonha. A morte sistemática de civis na guerra iraquiana, também. Israel viola os direitos humanos dos palestinos, Igualmente não se esquece da matança dos estudantes na China.
            Shirin entende que a violação dos direitos humanos em um país não justifica a violação em outro. Se os EUA infringem os direitos humanos em Guantánamo, não serve como justificativa para que o Irã sinta-se autorizado a prender jornalistas no país.
            Se Israel matou muçulmanos em Gaza, não serve de motivo para o Irã apedrejar as mulheres. O raciocínio do Irã que a violação dos direitos humanos é política não é verdadeiro, afirma.

Contra a severidade das penas

            A ativista ressalta a severidade das penas. A privação da liberdade no Irã é tanta que até os advogados de defesa são presos pelos tribunais. Atualmente há 12 advogados presos. Uma delas, Nasrin Soutudeh, colega de Shirin, está presa há nove meses, condenada por defender os opositores do presidente Mahmoud  Ahmadinejad em 2009. Foi condenada a nove anos de prisão. Um país democrático não prende um advogado de defesa por defender alguém no tribunal, conclui.

Pressões por mudança das leis. O povo iraniano protesta de forma pacífica.

            A conferencista diverge da opinião do governo do Irã sobre as sharia; que elas existem em decorrência do Islã e não se pode mudar isso. Tais leis derivam de interpretação errada do Islã. Há outros países islâmicos que não tem tais punições. Só  Irã e Arábia Saudita as adotam. Sendo assim, os demais países islâmicos estão errados? Indaga Shirin.
            Mesmo entre o clero, houve quem defendesse a mudança das leis, sem que o governo considerasse a opinião dessas autoridades religiosas. O aiatolá Montazeri, falecido em 2009, compartilhava com o povo ao afirmar que o governo não era islâmico; cometia tirania em nome do Islã.
            Problemas existem, mas a vontade de democracia no Irã tem o apoio da população, que tem protestado pacificamente, sem armas, só com a fala e a escrita. Dia a dia os oponentes crescem em número. O governo iraniano perdeu sua base junto ao povo.
            Até entre os fundamentalistas há conflitos. O parlamento registrou queixas de envolvimento do governo em corrupção, desvio de dinheiro. Quem foi às ruas clamar por isso, foi preso ou morto. Agora é o parlamento que fala. Os ativistas torturados por denunciar o mesmo problema em 2009 continuam presos. 

Direitos Humanos - Direitos da Pessoa - Universais
            Shirin afirma defender os direitos das pessoas; não pertencer a nenhum partido. Ela questiona as prisões, morte de menores, estudantes presos, discriminações de qualquer ordem. Acima de tudo, a ex-juíza, advogada, exilada, reafirma sua fé na busca da democracia no Irã e que esse dia não está longe, finalizou.

Na segunda parte da palestra, a ativista iraniana respondeu às seguintes perguntas da platéia:

1)A senhora não foi recebida pela Presidente Dilma. Se o encontro tivesse acontecido,  o que diria a ela? A mudança para a democracia no Irã será pacífica?

Shirin: Eu vim ao Brasil trazer a mensagem de amizade, transmiti-la à Presidente Dilma. O Brasil apoiava o Irã, Lula visitou o Irã e abraçou Ahmadinejad. O povo do Irã respeita o ex-presidente Lula. O governo brasileiro não sabia o que acontecia no Irã. Eu, e alguns iranianos residentes no Brasil, resolvemos esclarecer a real situação do Irã.
            Em 2010, na ONU, o Brasil votou a favor do povo do Irã. A população está feliz com isso. Vim ao Brasil para me encontrar com a Dilma, trazer a mensagem do povo iraniano para ela. Não houve o encontro. Porém, estou muito feliz com a presença da Ministra dos Direitos Humanos do Brasil, Maria do Rosário neste evento. Peço a ela que transmita a minha mensagem à Presidente Dilma.

Shirin: Há insatisfação entre os iranianos com a situação econômica ruim das pessoas, com o aumento da pobreza. Conforme a ONU, o crescimento econômico do Irã em 2010 foi zero. Pior que o Afeganistão e o Iraque, que enfrentam uma guerra. Em 2010, a inflação foi de 22% a.a. O povo do Irã não vai usar a violência para buscar a democracia. Isto é bom. Se cometerem violência, vão dar mais motivo para a violência do governo.

2) Quais são os direitos dos homossexuais no Irã? Qual a opinião da senhora sobre a existência de programa nucelar do Irã para fins bélicos?

Shirin: O homossexualismo no Irã é crime. A pena é a execução. Muitos já foram executados pela acusação de homossexualismo.
Shirin: Quanto à questão nuclear, o governo do Irã alega que o uso é pacífico; eu não sei se isso é verdade ou não. Mesmo que seja para uso pacífico, não creio que a energia nuclear seja saudável, que não traga impactos ao meio ambiente. Sou contra a energia nuclear. Exemplos não faltam.
            A Alemanha pretende fechar a totalidade das suas plantas nucleares até 2020. O acidente de Fukushima, no Japão, alertou a todos nós para o perigo a que o meio ambiente está sujeito com a instalação de usinas nucleares. O Irã está situado sobre uma falha geológica.
           O acidente em Fukushima pode se repetir no meu país. O Irã tem muito petróleo; possui a segunda maior reserva gás natural do mundo. É um país com sol em abundância, pode criar plantas energéticas baseadas em outras fontes de energia que não seja a energia nuclear.

3)Porque os juízes iranianos aplicam penas tão severas? Existe o anseio no Irã por um Estado Laico?
Shirin: Os tribunais no Irã perderam a sua independência. Os juízes guiam-se pelos agentes de segurança. Um dos maiores problemas é que esses juízes confirmam essas sentenças tão pesadas.

Shirin: São trinta e dois anos de uma ditadura religiosa. O povo é muçulmano, mas quer um estado laico, uma religião separada do governo; querem a democracia. Certa vez, numa sala de aula na Universidade, os estudantes reclamavam da falta de liberdade. Procurei acalmá-los, concordando que podia ser pouca, mas que ainda assim, tínhamos liberdade no nosso país. Ao que um aluno retrucou: _ No Irã não tenho liberdade nem de ir para o inferno, se eu quiser.

4))Quais os países onde o governo islâmico pode ser democrático? O único país democrata do Oriente Médio é Israel? A ocidentalização não fará com que o Irã perca a sua identidade?

Shirin: Indonésia e Malásia são exemplos de democracia melhor que a Síria e o Irã. É possível construir uma democracia no Irã. Todavia, as revoluções nos países islâmicos não podem tirar um ditador para colocar outro.
Shirin: Não acredito que em Israel haja liberdade de expressão. Os palestinos que vivem em território israelense não podem falar o que querem.

Shirin: A ocidentalização, o que é isso? O que é para nós? Não estou falando aqui de Mac Donalds ou de Pepsi, mas de direitos da pessoa, que são o padrão internacional para se viver. Não tem relação com o ocidente ou com os EUA.  Direitos humanos são para todos. Precisam ser obedecidos em respeitados em todas as partes do mundo. Isso não significa ocidentalização.

05/06/2011

Noites em Claro


            Pobres dos insones. Um turbilhão de pensamentos toma conta da mente quando o sono teima em não vir. Não adianta contar carneirinhos para que o tão merecido descanso do corpo e dos sentidos se faça presente. Quando o todo não quer ou não pode ser adormecido, o resultado é o estado de alerta geral. As tentativas revelam-se infrutíferas e só resta-nos esperar a boa vontade daquela inércia característica invadir-nos e então possamos dormir sem perceber.

            É lógico que estamos falando de quem perde o sono uma vez ou outra. Existem casos de doença, de pessoas que necessitam de medicamentos para dormir, receitados por um médico, naturalmente. Se não conseguir descansar de vez em quando já é um terror, imaginemos o que deve ser a vida de quem quer dormir e não consegue. Existem ramos da medicina hoje tratando exclusivamente das doenças do sono, tal a catástrofe que a ausência sistemática de sono provoca na vida das pessoas.

            Quem não dorme bem à noite, com certeza não consegue ter um ritmo normal de trabalho no dia seguinte, uma vez que o organismo inverteu o processo e vai querer recuperar o tempo perdido, sem contar que o humor vai ser daqueles de fuzilar com os olhos e não é para menos.

            Parece que passamos tudo a limpo nestas noites intermináveis. Ou então, até dormimos, mas são pequenos intervalos. Se fizermos a conta das perdas e danos na maioria das vezes as boas ações da nossa vida prevalecem. Todavia, nas noites mal dormidas, só vem à cabeça aquilo que fizemos e não gostamos do resultado e tudo fica ali martelando.

            Para recuperar o sono perdido, vale rezar, fazer respiração profunda, meditar – se é que a gente consegue _ concentrar-se no silêncio, procurando identificar os sons que ele nos traz. Expulsar os maus pensamentos, focando em recordações aprazíveis também pode ser uma boa pedida.

            Talvez seja necessário apaziguar a origem da nossa insônia. É na quietude da noite que o coração mais se alvoroça. Acalmá-lo pode ser o primeiro passo para o sono merecido. O primordial é identificar a causa das noites em claro, mas quando os nossos olhos estão bem abertos. Isto é, durante o dia, enfrentando cara a cara os problemas que estão afligindo-nos a ponto de repercutir no nosso descanso.