23/02/2011

IDENTIFICAÇÃO


Você passou o dia inteiro iniciando trabalhos, não os concluiu e falta resultado palpável para apresentar à chefia no final do dia, mesmo que não tenha parado um minuto sequer. Sensação de desamparo e de tempo perdido. Você chega em casa e sua família está nos nervos parecendo que faz questão de te irritar em tudo. Você não pode abrir a boca que só vem "mas". Tudo o que você quer é dormir mas todos tropeçam em tudo e com um barulho assim não tem quem durma. Você é um desânimo só, perguntam a causa e nem você mesma sabe. Aí vem a pergunta: "O que está acontecendo comigo?". É hora de identificar claramente o que nos perturba para não misturarmos com o choro outras sensações represadas. Nossa avaliação pode ser: “Estamos insatisfeitos conosco porque não produzimos o suficiente. Ninguém nos cobrou e somos nós mesmos quem estamos nos imputando este grau de exigência. Os familiares não estão tendo nenhuma atitude que não nos sejam conhecidas e se elas parecem ser dirigidas a nós e não reagimos assim rotineiramente, nossa percepção e ânimo estão alterados pelo nosso estado de espírito hoje. Não conseguimos visualizar direito então é melhor esperar as sensações amainarem”.

Engana-se quem acha que evitar o conhecimento dos fatos seja envolver-se com problemas desnecessários, quando se trata de acontecimentos prováveis, cujo encadeamento dos fatos mostra pouca chance de se efetivar. Se a resolução não está ao nosso alcance a tendência é se acomodar, já que vai acontecer mesmo. Mas não é enfiando a cabeça no buraco feito avestruz que vai tornar a carga menos pesada. Enxergar o todo com serenidade é ser senhor de si. Não se trata de sofrimento desnecessário. Mesmo que a quantidade de variáveis não nos permita medir que diferença fará no resultado, a escolha pode ser inclusive acomodar-se, mas é simplista e não condiz com as atitudes. Vale para os sentimentos, as doenças, as tempestades que o horizonte sinaliza.

Mas quem é que conhece as ferramentas para diferenciar um do outro? Nossa sanidade a medicina já provou que é um conceito meio relativo. Está aí a psiquiatria para achar um pouquinho de distúrbio em todos nós. A diferença está só na quantidade. Para nós leigos mania é sinônimo de loucurinha, mas para os entendidos é quando a esquisitice se repete com uma frequência tal que se tornou distúrbio e só os profisssionais com o distanciamento necessário conseguem nos dizer. Mas este campo ainda está longe de ser um consenso. Até as áreas médicas ditas físicas cada dia aparecem com uma teoria diferente, o que dizer do campo mental. Esta divagação toda não ajuda muito, sabemos, mas é proposital para mostrar o quanto é difícil manter o prumo e ser conceituado de normal. Fazer o que queremos, na hora e do jeito que queremos é fácil. Experimentemos perguntar para quem atura opções dos alternativos. Difícil mesmo é ser normal, pois o controle para sê-lo incomoda qualquer um.

As respostas às nossas opções não vêm em tempo real. Só vamos saber que certas atitudes eram desnecessárias depois que o tempo passou. É assim com a história. Só os muito antenados percebem quando estão vivendo um momento significativo, que irá mudar um paradigma vigente e propiciar o nascedouro de outro. Adivinhar e vigiar-se dispende energia que não compensa a vigília. Perdemos tempo com a precaução e deixamos de viver, simplesmente.

Não precisamos colocar plaquinhas de alerta mundo afora para que enxerguemos qual é a atitude da vez e o que ela significa. Mas comecemos por identificar nossos sentimentos, nossas dores e evitar carregar pesos desnecessários às costas ou envolver quem não tem nada a ver com isso. O tempo, olha o clichê, ainda é um excelente remédio.

16/02/2011

Doação de Medula Óssea – Tramandaí – Informações Úteis – II -

No dia 18 de fevereiro de 2011 em Tramandaí, haverá coleta de SANGUE apenas ou haverá a Coleta da MEDULA ÓSSEA propriamente dita?

Resposta:

Não haverá coleta de MEDULA ÓSSEA. Apenas CADASTRAMENTO DOS DOADORES e AMOSTRA DE 5 ML DE SANGUE, que integrarão o REDOME-Registro de Doadores de Medula Óssea.

Lembrando que a DOAÇÃO DA MEDULA propriamente dita só ocorrerá se o voluntário doador for compatível com algum Receptor cadastrado no REREME-Registro de Receptores de Medula Óssea. Se isso acontecer, O DOADOR CADASTRADO será novamente consultado se AUTORIZA ou NÃO o procedimento de retirada de uma pequena porção da MEDULA ÓSSEA.

O CADASTRAMENTO e COLETA DE AMOSTRA de 5 ML de SANGUE não configura qualquer obrigação em doar.

A chance de compatibilidade entre não aparentados é de UMA em CEM MIL.

Os dados do doador cadastrado permanecem no REDOME até 60 anos incompletos.

Fonte: WWW.inca.gov.br


 


 

09/02/2011

Varrendo as Coisas Velhas


Imagine que você seja uma pessoa profundamente conectada com sua herança cultural, suas tradições e tenha herdado um prédio histórico, concretizando a possibilidade sonhada de morar num local impregnado de história, uma relíquia de casarão do século XIX. Como todo habitante do século XXI, tem acesso à Internet, banda Larga, notebook, adora um banho quente e uma TV de plasma; embora isso pareça incoerente, respeito com o passado não quer dizer abrir mão das comodidades do presente. Vistoriando o local, constata que precisa de uma nova rede elétrica, pintura de paredes – você sofre de alergia -, não há pontos para TV a Cabo ou Internet e o piso do chão pede urgente para ser trocado. Aqueles móveis maravilhosos de madeira do tempo dos seus bisavós precisarão de uma boa descupinização e uma pátina para adquirir um ar de falso vintage, pois in-natura é impossível conviver com eles. Adoraria substituir a banheira antiqüíssima por uma com hidromassagem e descobre que as instalações sanitárias existentes não comportam. Os vitrais das janelas são lindos, mas pela localização, seria mais seguro colocar grades na janela. Ou talvez, contratar um serviço de vigilância resolveria. Você consultou o IPHAN e foi alertado(a) que as características externas do imóvel terão de ser mantidas. Ou seja, aquelas gárgulas pequenas, mas inquietantes não podem ser retiradas ou alteradas. Grades então, nem pensar.

Ufa! Se você que adora relíquias, já está desanimando diante dos obstáculos, imagine quem não abre mão de todos os benefícios da modernidade. À medida que a euforia pelo presente vai passando, você se imagina como um turista admirando a sua casa do lado de fora, ansioso por ver quais tesouros ela esconderia. Certamente abominaria qualquer mudança que impedisse a visão das paisagens no jardim e daquela maravilha arquitetônica. Será que se fosse um turista iria morar lá para iniciar alguma coisa? Ao mesmo tempo em que preservaria os belos vitrais, a grade que pretende colocar os enfeiaria. Os acréscimos necessários desfigurariam o projeto original.

Você está num dilema só. Como conviver com um local que enseja uma continuidade profunda, limitando as intervenções para se adaptar às exigências atuais e em conseqüência, abrindo mão de um modelo de vida corrente, que não é só seu, é de toda a humanidade?

Em maior ou menor escala, todos nós em algum momento descartamos registros da nossa vida, por não vislumbrar serventia a eles, por querer sepultar o passado ou por nossa incapacidade de visão de longo prazo. Acrescente-se a evolução tecnológica avassaladora que gerou mais informação nas últimas décadas que todo o registro de conhecimento que chegou até nós nos últimos dois mil anos e teremos um tremendo abacaxi para descascar. O que é importante e é necessário que preservemos?

Você, o (a) proprietário de uma residência histórica, percebe que não adianta trazer o passado para a sua vida. Talvez fosse o caso de compartimentá-lo. O respeito pelo passado pode se tornar um fardo. Uma fixação exagerada na nossa herança se torna uma forma de autoobsessão que faz com que nosso patrimônio fique debruçado sobre si mesmo, decadente. A continuidade excessiva é como água parada. Apodrece. Todavia, a interrupção brusca também é um retrocesso. Obriga-nos a um eterno presente, que desmembra a história das vidas individuais numa série de projetos e episódios de curto prazo, onde tudo tem que ser criado de novo.[i] Não nos restam modelos para saber onde os nossos antepassados erraram, até que ponto eles já dominaram o conhecimento e termos a humildade de estabelecer como ponto de partida o saber existente.
Por isso, se você destinar sua casa a ser um museu, abrigar um órgão cultural, não estará renegando o passado. Você acionou o instinto de defesa que a sua paixão pela tradição impulsiona. Não priva os demais habitantes do conhecimento de épocas passadas e vai morar num local condizente com o seu tempo, sem destruir a ponte que liga o passado e o presente.
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[i] [i] Stewart Brand, em “O Relógio do Longo Agora – Tempo e Responsabilidade” – Editora Rocco – 2000.