02/12/2010

HAJA PACIÊNCIA!

Paciência é um dom e nascemos com ele. Se a afirmativa for verdadeira, pobre de quem não a tem. Qualidade das mais necessárias, não há um campo sequer das atividades humanas onde se possa abrir mão da paciência. Educa bem, ensina direito quem o faz o conhecimento fluir naturalmente. O professor com o qual mais se aprende, parece estar em casa deitado na rede ao invés de dando aula, demonstra dominar o ofício com maestria, sempre senhor da situação. Não é preciso ser supermestre, mas se não tiver o jogo de cintura como aliado para as nuances do ensinar, como lidar com a gama de informações dos alunos, a receita não dá certo e o bolo vai “batumar”.


Nosso mundo tornou os minutos contados e não há relógio que sincronize o tempo do outro com o nosso. E dê-lhe autoajuda a exigir um tempo para nós. Mas se não temos tempo nem para respirar direito, como meditar, se a condição para a placidez interior é a sintonia com o mundo externo, para daí captar os fluídos tranqüilizadores do nosso espírito inquieto? Engana-se quem acredita que na natureza existe folga. Ninguém nasceu folgado, alguém já disse. O universo funciona movido pelo cronômetro do princípio da lei e da ordem. Não há o porquê do inconformismo. É só lidar naturalmente com as demandas. É difícil, mas não vale a pena se amargurar com a carga disponibilizada. Há uma corda a nos mover e complicado mesmo é não encarar as incumbências desafiadoras como castigo dos céus.

Somos afeitos a não resistir às frustrações e com tendência a achar um réu. A responsabilidade está no outro e se não há um culpado, está nos céus, nunca nas nossas escolhas. Devidamente “psicanalisados” e com o nosso umbigo como o centro do planeta, viramos as costas para o resto e não admitimos sequer a hipótese de pensar no próximo. Todas as nossas ações são voltadas para as nossas necessidades, os demais estão aí para nos atrapalhar a vida. Com isto, dê-lhe conta de perdas e ganhos e reclamação com o suposto prejuízo! Esquecemos que o raciocínio não é privilégio nosso, todos estão igualmente sentindo-se lesados, daí sentimos um constante inquérito em nossa vida, reduzida à caça aos culpados pela nossa infelicidade.

Quanta energia perdida a deteriorar o nosso quinhão de paciência! O emocional é biológico, sim. A memória nos proporciona a crítica sobre as nossas ações e o universo ao redor. E o mundo emocional no cérebro faz feed-back com o cérebro racional. Há interação constante e desse equilíbrio resulta a maior ou menor qualidade de vida para o enfrentamento das demandas. É necessário buscar o foco central da vida e até orar ao Deus interior. Para quê? Para não se desligar das tarefas alinhavadas, instrumentos para alcançar objetivos, nem sempre claros quando reagimos diante de situações concretas, mas integrantes do pacto sagrado de todos nós. Não importa o conteúdo da promessa. Interessa não nos desviarmos dela. Aí estaremos sendo coerentes conosco, pacientes com nossas dificuldades e dando tempo para os nossos “cérebros” buscarem a solução mais adequada e fluir melhor, sem tanto desgaste, sem tanta sofreguidão e com um pouquinho mais de lucidez.

2 comentários:

  1. É isto, Rackel. Paciência é um estado de espírito. O modo atual de viver privilegia o barulho, o passo rápido, como se nunca houvesse amanhã. Sem paciência, perdemos a perspectiva de futuro. Sem paciência, não se pensa, não se reflete, a vida torna-se uma orgia de sensações momentâneas e voláteis que precisam de novos "estímulos" e novas doses de barulho e movimento para continuar ligado no aqui agora. Sem paciência, a vida é uma droga.

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  2. Muito bem, que boa crônica sobre o tempo e a paciência(nossa e dos outros). Já reparou que o tempo sempre está com o tempo contado? Todos nós vivemos e sofremos com ele e haja paciência! Ele zomba de nós através das pessoas...
    Bjo do amigo do Rio.

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