28/06/2010

Compulsão por Compras


O seu cartão de crédito não comporta mais nem compras no R$ 1,99, mas você continua ali, hipnotizada na frente da vitrine ante aquele suéter maravilhoso. Não adianta esfregar as mãos, rapazes, que a analogia vale para os homens também. Troca só a vitrine e lá está você. Imóvel, frente àquele acessório (in)dispensável para o carro que há tempos não sai da sua cabeça.


Analise a situação. Você está convencido de que precisa dominar os instintos. Tem certeza dos aborrecimentos que a atitude irá lhe trazer, mas ainda assim, alguma coisa lá no fundo diz eu quero. E quando se quer, parece que tudo o mais se anula. E se o lado negativo da ação fica zunindo na cabeça, tenta-se não pensar nele. Esquecer é temporário. Se o assunto é importante para nós, vamos nos deparar com ele novamente logo, logo.

Que instrumento poderoso é o querer! É ele quem nos move. Quando aspiramos muito por algo, não tem quem nos segure. Passa a ser a coisa mais importante para nós e concentramos todos os esforços em concretizá-lo. Mas tem um detalhe. Não vale a pena canalizar todo o nosso potencial criativo a serviço do querer, se ele estiver desprovido de lógica, se as coisas não fizerem sentido, não tiverem coerência. Aí é compulsão pura e simplesmente.

Existem as ocasiões em que ficamos em cima do muro, há chances de dar certo o que nos deixa indecisos. Tiremos partido da hesitação para respirar fundo e nos indagar com sinceridade se é a melhor alternativa. Se acender o sinal vermelho, desistamos. Intuição pura. As mulheres que o digam.

Mas se o caso é de compulsão mesmo, saia imediatamente da frente da vitrine. O prazer que o objeto adquirido vai te proporcionar não compensa o desespero que vem depois.

20/06/2010

A Resposta


Eles até podem fazer com as pessoas o que quiserem e a opção de não responder, opinar, negar ou manifestar qualquer reação no ato, exceto a aceitação, não significa que realmente tenham feito o que desejaram com outrem. Quer dizer apenas que seus alvos se reservaram o direito de não reagir. O que as “vítimas” vão fazer com o ocorrido, com a informação, bem como os posicionamentos que venham a adotar ou decisões que porventura tomarão em conseqüência das ações que lhe foram provocadas é algo que lhes cabe somente e igualmente se dão ao luxo de dar conhecimento ou não à parte que lhes afrontou. Se o fizerem, será no momento adequado, com a forma de comunicação que lhes for conveniente. E, talvez agora, os autores também não esbocem a reação esperada quando lhes for dado conhecer, simplesmente por não perceber a resposta que lhes está sendo dada.

Como diria o magnífico escritor José Saramago - recentemente falecido – em sua obra A Caverna: “O importante é o caminho que se fez, a jornada que se andou, se tens consciência de que estás a prolongar a contemplação é porque te observas a ti mesmo ou pior ainda, é porque esperas que te observem. Comparando com a velocidade instantânea do pensamento, que segue em linha reta até quando parece ter perdido o norte, cremo-lo porque não percebemos que ele, ao correr numa direção, está a avançar em todas as direções, comparando, dizíamos, a pobre da palavra está sempre a pedir licença a um pé para fazer andar o outro, e mesmo assim tropeça constantemente, duvida, entretém-se a dar voltas a um adjetivo, a um tempo verbal que lhe surgiu sem se fazer anunciar pelo sujeito”.

Aquilo que não queremos ouvir é a nossa maior dificuldade a enfrentar. Os outros podem até ter alguma pontinha de razão, mas nos ofendem mortalmente se nos atiram o que julgam verdades na cara, mas decididamente, não tem esse direito. Não podem inferir no nosso livre arbítrio, arrombar uma porta sem esperar que a abríssemos de livre e espontânea vontade e remexer assim no más no nosso lixo adormecido, onde é que já se viu? Ignoram deliberadamente os percalços e o esforço hercúleo para chegar até aqui. É fácil cobrar de nós o nós o resultado, a conseqüência, quando só nós sabemos, como apropriadamente ilustra Saramago no texto anteriormente transcrito, o que realmente nos importa é o caminho que percorremos e nos incomoda deveras sermos pegos de surpresa. Também nos perturba perceber que as pessoas estão nos notando, exigindo respostas que não temos condição de dar e atrapalhando o vagar todo próprio do nosso pensamento solto e livre que é, mas sob o nosso domínio pessoal e não à mercê de um atropelado qualquer de palavras que não tenham saído da nossa própria boca. Exigem-nos a perfeição. Não. Esse território é nosso. Somos senhores do nosso crescimento por mais arrogante que isto possa parecer. A contemporização da resposta é só o tempo necessário para metabolizarmos o que serve e expelir o resto. Eles podem até não esperar, mas que a resposta vem, ah! isso vem.

17/06/2010

Vitalidade - O Segredo


Existem pessoas que parece que o cansaço não as atinge. Estão sempre dispostas e com um sorriso nos lábios. E ficamos imaginando de onde tiram tanta energia. Não significa, necessariamente, que estamos falando de alguém no auge da juventude, quando a vitalidade é uma característica ou pelo menos, deveria ser. Temos que reconhecer que tem muito jovem de quinze, vinte anos, que parece estar carregando o mundo nas costas, tamanha a falta de vontade para a vida.

Normalmente, as pessoas que tem o maior gás, independente da idade, são movidas a desafios. A cabeça é um turbilhão. Nem bem terminam um projeto e já estão metidas em outros. O que executam agora começou a ser planejado, quando o penúltimo trabalho estava em andamento.

Costumam explicar tudo, como se tivessem que dar satisfação para o mundo. Antes de enxergarmos culpa no cartório naquele amigo que tem esta distinção, convém examinarmos com mais carinho se o ato de justificar tudo, não se trata de um compromisso extremo com a coerência. Não deixa de ser uma dose de ingenuidade, já que pessoas desse tipo são muito transparentes e, portanto, suscetíveis de serem surpreendidas por reações inesperadas.

Outra característica dos energéticos é gostar de conversar. E aí há o rótulo de quem conversa e ri muito, longe de ser amável aparenta-nos pouco confiável. Afinal de contas, até para conversar ou sorrir precisamos ter um motivo. Esse tipo de pessoa usa toda a energia que possui, enxerga o mundo de uma forma peculiar. Tem problemas como qualquer um, mas não deixa que eles tomem conta de toda sua atenção. Administra-os como obstáculos passíveis de serem ultrapassados e não como tormento caído dos céus para lhe atazanar a vida. Fixa objetivos de longo prazo, bem claros na sua cabeça, mas às vezes, imperceptíveis àqueles que os rodeiam, que não entendem a pessoa quer chegar com esta ou aquela atitude. Esse tipo de gente também é egoísta. Se por um lado só se satisfaz quando dá o melhor de si, por outro saboreia sozinhas o prazer da realização plena, do dever cumprido, da vontade saciada. Mas tem outro detalhe: Você sempre vai poder contar com elas. Mas não pise nos calos. Elas não são boazinhas e capazes de devolver na mesma moeda.