28/05/2010

No olho do furacão


Heráclito dizia que nada é permanente, exceto a mudança. E o que falar então de um mundo onde a velocidade da comunicação faz com que o morador da barranca do Uruguai, com uma parabólica espetada, saiba que houve queda nas bolsas de Kuala Lumpur na Malásia, há poucos minutos? Ele visualiza, presencia os fatos em tempo real.

Mas será que é mesmo assim? O que buscamos para a nossa vida seja no sentido material, filosófico, religioso ou qualquer coisa que o valha é exatamente a constância. Pois é. Hoje estamos que nem cachorro tentando morder o rabo. Buscamos a estabilidade e para alcançá-la vivemos correndo atrás dela, sempre parecendo que quanto mais próxima está, mais ela se esvai.

O que seria deste nosso planeta se ele não estivesse estável nos eixos, naquele eterno movimento de rotação e translação, como nos ensinaram nos bancos escolares?

Aquecem ou esfriam as águas do Oceano Pacífico e lá vem El Nino ou La Nina tirar o nosso ao provocar a instabilidade do clima e coloca toda a nossa lavoura, feita a duras penas a perder.

Dizer que o universo funciona por princípios de lei e ordem transparece imperativo, dogma de alguma seita. Mas não é. Para se manter a normalidade está cada vez mais difícil seja nas oscilações dos fenômenos da natureza ou na nossa vida. Não está fácil preservar o emprego. Procurar emprego então, nem se fala. Eles existem, mas estão nos exigindo sempre mais, cobrando-nos mudança de atitudes, aprendizados adicionais.

Pode ser que a rede de comunicação global nos fez ficar muito perto dos fatos. Sabemos instantaneamente quem quebrou e os donos do chamado capital flutuante correm com o dinheiro de um lado para outro em questão de minutos. Tudo à procura de maiores lucros e menores riscos, indiferentes se quebram países, desvalorizem moedas, atrapalhem a vida dos que querem sair da crise e crescer o mais rápido possível.

Não acreditamos que a mudança seja algo assim, simplista. Mas que parece que alguém colocou o pé no acelerador da humanidade está obrigando-nos a andar mais rápido, ah, isto parece. E ai de nós que ficarmos para trás. Não há jeito. Temos que correr junto.

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