26/09/2009

A Saga do Planeta Atlântida - Parte II

Não basta levar os filhos ao Planeta Atlântida(o festival de música que acontece todo fevereiro na praia de Atlântida, aqui no Rio Grande do Sul.), tem que gostar. Céus, isto é vivenciar a própria sugestão, aquela coisa de usufruir o momento, respeitar escolhas, enfim. Pois é.
Passemos da teoria à prática. Decisão de acompanhar os filhos ao festival em Atlântida tomada, o que nos resta é fazer o possível para entrar no clima. Menos mal que a galera aceita numa boa a turma da terceira idade. Já fomos no ano anterior sob uma chuva torrencial e um lamaçal de fazer dó. Mesmo assim valeu pelo Herbert Viana, Ivete Sangalo e até aplaudir o Charlie Brown Jr. É claro que o instinto de mãe se aguçou quando o telão mostrou a cara crispada do vocalista Chorão fazendo malabarismos com um skate e com aquele peso todo. Mas não seria com decibéis à vontade que iríamos fazer, digamos, elucubrações filosóficas.
Nesse ano, entramos no site do Planeta, respondemos o quiz no CLICRBS concorrendo a ingressos, quase torcendo para ganhar e não deu. Mas que idéia. O foco é a gurizada e como é que alguém que diz a idade da certidão de nascimento vai ter resposta premiada num lance destinado a adolescentes & Cia? Mas temos que vivenciar de alguma maneira. Indiretamente talvez queiramos trazer de volta os verdes anos e levar os filhos seja a desculpa perfeita para quem no fundo nunca deixou de ser pop rock e gostar de multidões. O efeito é um pouco diferente da nossa adolescência distante. Jamais nos contentaríamos no passado em ver de longe, no telão.
Se não fosse a fila do gargarejo, não valia, não seria a mesma emoção. Esta vontade bateu novamente no show do Rappa e do Jota Quest. No primeiro até tentamos ver o Falcão mais de perto, mas uma parede de braços e cabeças como que em transe e cantando em uníssono com o vocalista nos fizeram desistir.
Não dava para competir com aquela emoção. O tempo passou e a razão permeia nossa cabeça. Não viemos para os shows em sua plenitude., viemos pelos nossos filhos, esforçando-nos para sermos iguais e compartilharmos a emoção deles de viver este momento, como nós tantas vezes fizemos outrora. A emoção é desviada para a preocupação de saber se eles estão seguros, se estão felizes, se divertindo e isto nos realiza. O evento é cercado e o policiamento é ostensivo. Melhor para nós pais que se aventuramos a ir ao espetáculo e para aqueles que ficaram em casa apreensivos rezando para que tudo corresse bem e os filhotes retornassem felizes e incólumes. Quem gosta de música como nós esperou que o crescimento dos filhos para ter o pretexto de levá-los e cuidá-los, mas chegada a hora o cansaço bate e o sentimento já não é mais o mesmo. Curte-se sim, mas constata-se que as emoções precisam ser vividas na época certa, sob pena de perdermos a sua plenitude.
“Quando a gente gosta é claro que a gente cuida...” diz o Peninha pela voz do Caetano Veloso. Ninguém cuida ou vigia ninguém. Presença paterna ou materna não vai inibir eventuais bobagens se não houver paz no cotidiano ou pelo menos a vontade férrea de mantê-la a qualquer custo. Não podemos perder a oportunidade de estar por perto. Talvez eles preferissem estar sozinhos, mas vai chegar uma hora em que terão que fazer isto. Estas experiências iniciais são só um treino, para dar segurança a eles e a nós que os amamos tanto. Não podemos mantê-los debaixo das asas para o resto da vida, mas se pudermos compartilhar seus rituais de iniciação, ótimo. Para isto vale até ficar acordado além do suportável, achar graça do desconforto e ter história para contar depois.

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