09/09/2009

Equalizando a frequência



Às vezes nos dá aquela vontade danada de discutir umas idéias que temos na cabeça e achamos maravilhosas, com alguém que temos certeza que vai nos entender. Tudo bem, se a vontade de telefonar não for às 8:00 horas da manhã e o nosso interlocutor é puro instinto, até passar o mau humor matinal. Até tentamos segurar a ansiedade, mas não é sempre que se consegue. O resultado é inevitável. Tudo o que retorna do outro lado é um balde de água fria. “Oi, tudo bem!”. Você espera e nada daquele “mas que prazer te ouvir!” costumeiro. É o suficiente para abortar seus pensamentos, por mais brilhantes que eles inicialmente tenham parecido. É aí nos convencemos que o melhor lugar para eles é lá no fundo do nosso cérebro.
É complexa a sintonia entre o nosso momento e o do outro, mesmo os mais íntimos. Estamos loucos para conversar e só de olhar para a cara do(a) parceiro(a), dá para ver que “o tempo se armou de fato, lá pras bandas do Uruguai”, e o olhar ferino que nos é dirigido nos desencoraja no ato. Ou então, estamos com uma dorzinha no coração, querendo colo e não sabemos o motivo. A única certeza que temos é de como seria bom alguém nos acariciar os cabelos e dizer que aquela tristeza vai passar. Mas que nada! O interlocutor vem logo dizendo: “Mas também, você não devia ter feito isso, ter dito aquilo”, e assim vai. É aí que nos faltam palavras para retrucar e dizer que não queremos nem precisamos de corte marcial. No fundo se sabe que se está sendo incoerente. Se a gente tivesse certeza e opinião formada, não ia procurar apoio. Estamos simplesmente querendo conversar com alguém.
Se o ouvinte é nosso amigo, vai perceber que não é o momento de julgar. Se tiver intimidade suficiente, pode até fazê-lo em ocasião mais oportuna. Como nos quer bem, vai pelo menos tentar nos compreender, captar o real sentido das nossas palavras e atitudes e ser o que se espera de um amigo: O companheiro de sempre que nos entende como irmão, porque gosta de nós e não dos nossos defeitos. A probabilidade da sintonia se concretizar é imensa, porque conta com a boa vontade dele conosco. É só tentar e se esforçar.

Um comentário:

  1. Isso é uma constatação ou atestado de carência? Na busca de meu sonho de consumo(algum dia dizer ao outro exatamente aquilo que ele deseja ouvir)vou exercitando meu binômio admiraçãoXdiscordância.

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