13/07/2009

Vínculos

É difícil lidar com as diferenças, estabelecer vínculos com quem não fecha conosco em tudo. A tendência é construir um emaranhado de raízes efêmeras, sem algo que as fixe, podendo ser arrancadas ao menor puxão. Em contrapartida, ficamos isolados no meio social em que inseridos fisicamente. São características inerentes àqueles quem vive mudando de cidade? Nem sempre. Grudamos nos chats da Internet, mas não conversamos com o vizinho, que adora Lupicínio Rodrigues como nós. É que conhecemos o cidadão e se tivermos contato, implica em trazer junto as facetas que não gostamos. Com isso, tornamo-nos seletivos na convivência, limitando-a a um grupo, de preferência o familiar.
Somos reconhecidos pelas amizades que construímos. Elas podem ocorrer no emprego, por exemplo. O local de trabalho geralmente não é lugar de construção de afetos, mas de convivência institucional. E somos obrigados a reconhecer que o ambiente empresarial é uma verdadeira guerra em busca de espaço, promoção, empregabilidade. O trabalho não é exatamente o terreno mais fértil para se despir dos defeitos e exercer o altruísmo. A profissão é a nossa identidade, queremos ser bem sucedidos nela. Sucesso significa postos galgados, melhoria salarial, desempenho. Abrir mão de dinheiro é abdicar de comodidade para nós e nossa família. Sem contar que soa como irresponsabilidade para com o futuro daqueles que geramos. Mas será que não é a oportunidade ímpar de progredirmos internamente, de superar as diferenças, exercitar a convivência harmoniosa?
Temos medo de trocar a comodidade da água do vaso, pela firmeza da planta na terra. Troca-se a água a adapta-se num tempo menor. Fincando-se raízes, sabemos que, na retirada, pode haver dano. Se quisermos transportá-la de recipiente há que se ter cuidado e leva tempo na adaptação. Difícil não é perder antigos vínculos. O problema é não colocar outros em seu lugar. Tentar manter amizades como meta de vida é desenvolver resistência às frustrações, oportunizar o aprendizado e abrir-se por inteiro.
Saber o ponto de equilíbrio é estabelecer o limite entre o masoquismo e a tolerância. É transformar os obstáculos em objetivos a serem solucionados sem abrir mão de nossas crenças e valores mais caros.

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