08/07/2009

Refém



O filme “Uma Mente Brilhante” quase deu a estatueta do Oscar de melhor ator a Russel Crowe em 2002 ao retratar a vida do matemático americano John Forbes Nash, que teve que conciliar a genialidade com a esquizofrenia paranóica.
Temos zelo pela qualidade da nossa saúde mental. As doenças mentais para nós leigos, tem um limite pequeno entre os sintomas, que não percebemos facilmente se é defeito de caráter ou patológico. Nas doenças físicas é mais compreensível a quem não é do meio, justificar que aquela dor nas costas é o músculo tensionado e que o remédio X na posologia indicada pelo médico vai nos proporcionar o alívio num tempo comum estimado. No campo mental não. O leque dos distúrbios é grande e a impressão é que se vai testando medicamentos ou se submetendo a anos de terapia. Ir a um terapeuta ou psiquiatra para muitos de nós é admitir uma moléstia cujo estigma é a loucura e nos tornamos reféns desta marca. Daí para frente nossas ações passam a ser entendidas dentro do contexto de doença no campo familiar e não somos mais senhores dos nossos atos. Podemos estar nos aproveitando da situação para agirmos como bem entendemos? Como se conscientizar da necessidade da cura, se não percebemos nada de mal conosco?
Quem padece dos males da mente é prisioneiro das atitudes que a enfermidade provoca. Ver a vida por lentes divergentes da maioria das pessoas faz com que sejamos encarados de forma diferente, o que provoca mais retraimento e não contribui para a cura.
Felizmente, há uma desmistificação constante das doenças mentais, pelo avanço da medicina, da terapia, das drogas que aliviam e permitem o retorno à convivência normal. Os mecanismos que hoje se tem à disposição são mais discutidos pelos meios de comunicação e vistos como doenças simplesmente. A novela “Caminho das Índias” trata do tema da esquizofrenia através do papel do personagem Tarso, contribuindo para clarificar e desmistificar a doença. Algumas curáveis, outras que se tem que conviver com algum cuidado, e exercer a genialidade, como no caso do matemático vivido por Russel Crowe. A esquizofrenia não impediu John Forbes Nash de ser premiado com o Prêmio Nobel de Economia em 1994.
Quem vive e enxerga a vida de modo diferente não porque quer, mas porque algum ingrediente faz com que ele veja daquela forma, trava uma batalha diuturna contra um inimigo silencioso para garantir a qualidade de vida a si e aos seus. Nossa contribuição enquanto sociedade vai desde a compreensão, o entendimento até a ausência de preconceitos, dentre outras.

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